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22/07/2010 - Alta da Selic demonstra medo exagerado, avaliam entidades do comércio

Entidades do comércio afirmaram nesta quarta-feira que o aumento da Selic mostra um medo exagerado da autoridade monetária sobre a possibilidade de aumento da inflação e a classifica como conservadora. O Copom (Comitê de Política Monetária do BC) elevou os juros de 10,25% para 10,75% ao ano.

Para o diretor-executivo da Fecomercio (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo), Antonio Carlos Borges, o reajuste é "absolutamente desnecessário". "O momento pede uma parada técnica para que o BC análise melhor a situação a partir dos aumentos dos juros básicos nos meses anteriores e possa tomar a decisão mais acertada daqui para a frente."

A Fecomercio ressalta que alterações na Selic costumam levar de quatro a oito meses para surtirem efeito na economia real.

"O processo de aperto monetário iniciado em abril ainda nem gerou efeitos expressivos na economia real, embora tenha provocado efeito psicológico muito forte no consumidor, que passou a demandar menos produtos", pondera Borges.

Ele destaca ainda o fim de incentivos tributários para linha branca e automóveis. "As ações do BC têm se mostrado inapropriadas e ineficientes nesse momento."

Para a Fecomércio-RJ, o Copom continua exagerando na dose de conservadorismo. "Com a inflação sob controle, com deflação apurada por alguns indicadores, recuo nas vendas e desaceleração do emprego, o Comitê poderia acertar a dose e manter os juros básicos da economia", afirma em nota Orlando Diniz, presidente da entidade.

Alencar Burti, presidente da ACSP (Associação Comercial de São Paulo), afirmou que a acredita que a taxa poderia ter ficado como estava. "Temos que respeitar o que o Copom decidiu porque tem acertado nas suas últimas avaliações. Mas acho que o atual momento comportava a manutenção da taxa Selic, no sentido esperar para avaliar melhor o comportamento da inflação mais à frente", afirmou.

Burti afirmou temer que a elevação da Selic possa gerar uma redução no consumo, com efeitos negativos no nível de emprego.

FONTE: Folha Online

 
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