"A INFLUÊNCIA DOS PROFISSIONAIS DE CONTABILIDADE
E GOVERNOS
NO SUCESSO DOS MICRO E PEQUENOS EMPREENDIMENTOS".
*Autor: Marcelo Rocha
Quanto é
necessário faturar para poder, ao menos, pagar todos os compromissos
da empresa? Esta dúvida é muito comum quando se pretende ter uma
noção da situação econômica e operacional
da empresa, ou quando se quer iniciar uma determinada atividade empresarial.
Convém lembrar que uma grande parte das micro e pequenas empresas trabalham
num mercado de concorrência perfeita em que quem determina o preço
não é o empresário e sim o mercado.
Por isso, sempre que possível, deve-se analisar a atuação
da concorrência, observando suas estratégias financeiras, comerciais
e mercadológicas. A primeira ação é a identificar
os concorrentes diretos e suas estratégias de atuação no
mercado. Podemos começar definindo-os pela delimitação
física, e, em seguida, pelo mix de produtos ou serviços, pela
similaridade de produtos ou serviços, promoções, formas
de atendimento, etc. É preciso também, conhecer preços
e a qualidade dos produtos dos concorrentes através de mapas, observando
fornecedores e suas referências. Certamente, o empresário que possua
uma certa quantidade de informações estratégicas estará
munido de ferramentas bastante significativas para agregar valor à desafiadora
tarefa de formação de preços.
Como muitos micro e pequenos empresários, não conseguem fazer
com que suas empresas tenham sucesso, a maioria chega a falência nos 2
primeiros anos de sobrevivência.
Uma das causas está alocada na formação do preço
de venda, alguns empresários elaboram os preços de seus produtos
apenas aplicando uma porcentagem simples sobre os mesmos, quando na verdade
não é tão simples assim, pois na realidade o custo de venda
da mercadoria é a soma de todos os custos que empresa incorre para realizá-la.
É a soma de todos os percentuais de comissões, ICMS sobre venda,
IRPJ, PIS, COFINS, CSLL, CPMF ou então o SIMPLES .
O SIMPLES permite que as micro e pequenas empresas recolham em apenas uma guia
DARF de código 6106 os seguintes tributos: PIS, COFINS, IRPJ, CSLL, IPI
e INSS relativa à parte do empregador. O tributo é recolhido em
escala progressiva iniciando-se em 3% para ME (Microempresa) e 5,4% para EPP
(Empresas de Pequeno Porte) .
Às vezes, quase nunca, o empresário consegue sucesso, pois os
preços de seus produtos não contemplam os custos fixos nem os
variáveis. Os Custos fixos são os que não variam em função
de uma determinada quantidade produzida de produtos ou serviços. Assim,
se a empresa produz mais ou menos, os custos fixos existirão na mesma
proporção. Na verdade, existem algumas variações
nos custos fixos. Isto ocorre quando se muda a estrutura administrativa, pessoal,
técnica, ou até o nível de atividade da empresa.
Já nos custos variáveis são os que variam em função
de vendas, produção ou serviços prestados. Exemplos: matéria-prima,
embalagens, comissões, impostos de vendas, frete sobre as vendas, mão-de-obra
(diretamente ligada à produção ou prestação
de serviços).
Porém existe ainda outro tipo de custos que devemos levar em consideração,
a chamada depreciação. Pode ser considerada como custo variável
(direto) ou custo fixo (indireto) dependerá apenas da sua participação
na composição de custos da empresa.
Os empresários, geralmente os micro e pequenos, não disponibilizam
tempo para trabalhar a área do conhecimento empresarial, ou seja, fazer
cursos de gestão, participar de palestras ou qualquer outra atividade
de agregação ou de reciclagem de conhecimentos empresariais. Infelizmente
os mesmos pensam que basta abrir uma porta e começar a vender um produto
que o lucro vem.
Além de não procurarem por palestras e cursos empresariais, os
empreendedores, não buscam ajuda junto contador, contratado pela empresa,
ou junto ao SEBRAE para serem orientados na condução de seu negócio.
Muitos empresários vêem os contadores como meros elaboradores de
tributos e guarda livros/documentos e o SEBRAE como instrumento de consultoria
em gestão de grandes empresas e ainda pensam que seus serviços
são pagos. Bom, não são pagos, mas também não
são totalmente gratuitos, pois muitas empresas custeiam esta paraestatal
com uma pequena porcentagem do recolhimento do INSS.
No caso dos profissionais de contabilidade entendo que estes devem ser mais
pró-ativos junto aos clientes, tomando a iniciativa de fornecer e orientar
os micro e pequenos empresários em gerir seu negócio e no caso
do SEBRAE o governo federal vem aumentando a divulgação dos serviços
da entidade em meios de comunicação de grande massa, mas ainda
não está tendo muito sucesso, pois muitas agências da entidade
continuam vazias e sem a procura de seus serviços. Sem uma orientação,
muitos empresários nem sabem o saldo real de seus estoques ou caixa,
pois não os controlam adequadamente.
O interesse na busca do sucesso depende muito dos empresários, mas uma
boa parte dos insucessos poderiam ser evitadas com uma ação mais
pró-ativa dos contabilistas e também do governo federal, estimulando-os
a aprender a empreender, buscar informações, estarem sempre atualizados.
Esta falta de cultura do aprender faz com que o empresário não
atente para as novas constantes mudanças de mercado que ocorrem ao seu
redor.
Para trabalhar uma das grandes deficiências da maioria dos micro e pequenos
empresários do comércio é a formação do preço
de venda. Uma importante ferramenta que pode ser utilizada junto a estes empresários
é o MARK UP.
O MARK UP é um índice que aplicado ao custo de um produto com
seu respectivo custo fixo que contempla de maneira prática o preço
real de um produto.
Esta ferramenta só funciona com precisão se o empresário,
literalmente, estiver com a empresa na mão, ou seja, com todos os controles
à disposição em "Real Time" pois sem eles, fica
difícil a absorção de dados para a elaboração
da sistemática e aplicação do MARK UP, além de serem
úteis para a tomada de decisões.
Veja, esta é apenas uma ferramenta que pode ser passada aos micro e pequenos
empresários e a conseqüência da aplicação de
apenas esta ferramenta é uma visão mais racional dos empresários
nos seus preços de vendas que sempre visualiza que basta aplicar uma
porcentagem sobre o custo de um produto que o lucro esperado será obtido.
Como esta, existem muitas outras ferramentas de gestão que os micro e
pequenos empresários não tem acesso e nem sabem que existem e
as conseqüências destas ações são: empresas
saudáveis aumentam-se empregos, rentabilizam-se estabelecimentos comerciais,
geram-se mais impostos e cresce o nosso Pais.
Então, vamos deixar a posição re-ativa perante os micro
e pequenos empresários, para tomarmos a posição pró-ativa
e parceira, fazendo assim com que estes empreendedores tenham vida longa na
estrada empresarial.
* Marcelo Rocha
Contador, Profº Universitário e Mestrando em Educação,
Comunicação e Administração.
E-Mail: marcelorocha@mrochacontabilidade.com.br