A IMPORTÂNCIA DA AUDITORIA CONTÁBIL
DAS DISPONIBILIDADES NAS ENTIDADES

Considerações Iniciais

* Orleans Silva Martins

O termo auditoria deriva do latim audire, que significa ouvir. Os ingleses ampliaram-no como auditing1 para denominar a técnica contábil da revisão. Para atender ao mundo globalizado composto por uma sociedade moderna com grandes organizações e em constante desenvolvimento econômico, gerando crescente complexidade na administração dos negócios, onde as transações são contabilizadas em real-time2, sujeitas às determinações fiscais e legais, e devido à criação de normas regulamentadoras da profissão, o conceito de auditoria tem-se ampliado ao longo do tempo.
Com o objetivo primordial de examinar a veracidade e a correção das informações apresentadas na escrituração e nas demonstrações financeiras das entidades, a Auditoria Contábil constituiu-se como uma das técnicas desenvolvidas pela ciência contábil.
Esse surgimento se deu em função da evolução do mundo capitalista, principalmente pela transformação das empresas familiares em empresas corporativas. O crescimento e a modernização tecnológica, aliados ao processo de abertura de capital para investido­res interessados em oportunizar seus investimentos, foram fatores que contribuíram para que as demonstrações financeiras passassem a ter maior importância e tivessem que ser auditadas ou examinadas por um profissional independente, com voz neutra, capaz de emitir uma opinião sobre a qualidade das informações contidas nessas demonstrações.
Com a sofisticação e complexidade dos negócios, a auditoria passou a ter vários desdo­bramentos, como auditoria interna, externa, governamental, empresarial, de sistemas, entre outras.
No Brasil, a auditoria é uma atividade relativamente nova, que ainda se encontra no estágio embrionário em termos de técnicas, haja vista que as legislações específicas brasileiras vêm abordando superficialmente o assunto, sem definir de forma clara e precisa os procedimentos que os profissionais da área deveriam adotar em determinadas ocasiões encontradas nas auditorias das demonstrações financeiras de determinadas entidades.
Através de exigências do mercado, da abertura do capital social das entidades a investidores diversos, entre outras, essas entidades se viram diante da necessidade de expor seu patrimônio, sua posição financeira, sua capacidade de gerar lucros e, também, como estava sendo realizada a administração financeira dos recursos da empresa, no intuito de transmitir o maior número possível de informações e segurança aos investidores para que esses pudessem avaliar a segurança, liquidez e rentabilidade de seus futuros investimentos.
Nesse sentido a auditoria sobre as disponibilidades surgiu como uma ferramenta eficaz para examinar esse subgrupo de contas e confirmar ou desmentir a veracidade das informações contidas nos registros e demonstrações contábeis das entidades e evitar fraudes ou erros nessas contas, além de auxiliar os gestores dessas organizações nas tomadas de decisões.

Os Exames de Auditoria nas Disponibilidades

O exame da auditoria efetuado na área do disponível tem por finalidade atingir objetivos previamente determinados. Entre esses objetivos temos:

Dessa forma, o programa de auditoria deve ser considerado para evitar trabalhos desnecessários ou enfoque incorreto.
A seleção e a data de aplicação dos procedimentos de auditoria devem estar definidas com base na eficiência dos controles internos e na materialidade envolvida.
Na auditoria das disponibilidades, deve-se levar em conta a possibilidade de irregularidades, pois é mais vulnerável que os outros ativos.  Portanto, o auditor, ao realizar o trabalho das disponibilidades, deve levar em consideração os seguintes aspectos:

A Auditoria Contábil

Podemos entender Auditoria Contábil como sendo o exame e avaliação dos registros e procedimentos contábeis, sistemática dos controles internos e observação das normas, regulamentos, princípios e legislações aplicáveis no que concernem à contabilidade. Segundo definição do próprio Jund (2002, p. 92):

A auditoria das demonstrações financeiras destina-se ao exame e avaliação dos componentes dessas demonstrações, no que concerne à adequação dos registros e procedimentos contábeis, sistemática dos controles internos, observância das normas, regulamentos e padrões aplicáveis, bem como a aplicação dos Princípios Fundamentais de Contabilidade.

A Direção dos Testes


Há a possibilidade de erro nos saldos de contas do balanço patrimonial ou da demonstração do resulta­do exercício, para mais (superavaliado) ou para menos (subavaliado). Pela existência desse risco, testa-se as contas da contabilidade para se evidenciar se houve superavaliação ou subavaliação. A experiência tem demonstrado que é mais prático dirigir os testes principais de superavaliação para as contas devedoras, ativo e despesas, e os de subavaliação para as contas credoras, passivo e receitas. Devido ao fato de as transações na contabilidade serem registradas pelo sistema de partidas dobradas, quando se testam as contas devedoras para superavaliação, as contas credoras também estão sendo testadas indiretamente nessa mesma direção.

Um exemplo disso é quando o auditor descobre que as despesas de pessoal estão superavaliadas, em função de os salários do mês de janeiro de 20X1 terem sido provisionados indevidamente em 20X0, é evidente que a conta credora de salários a pagar, classifica­da no passivo circulante, também está superavaliada. Da mesma forma, quando se testam as contas credoras para subavaliação, as contas devedoras estão sendo testadas secundariamente nessa mesma direção.

Teste Para Superavaliação


No teste para superavaliação, o auditor parte do valor registrado no razão geral para o documento-suporte da transação. O registro final representa o último registro contábil antes do razão geral. O registro inicial é elaborado com base no documento e representa o primeiro registro contábil em função de uma operação. O registro intermediário representa qualquer registro contábil elaborado entre o registro inicial e o registro final.

Como exemplo de registro inicial é o resumo das compras do dia de uma filial, com base nas notas fiscais de compra dos fornece­dores; como registro intermediário, a elaboração do resumo mensal de compras, que representa o somatório dos resumos diários de compra; e como final, o de compras do mês, que é formado pelos resumos mensal de compras de cada filial, enviados para a matriz.
Os procedimentos básicos de auditoria do teste para superavaliação são os seguintes:

O objetivo dos procedimentos supracitados é detectar superavaliação de débitos. Essa superavaliação poderia ser feita verificando-se: