RESUMO: A legislação a seguir regulamenta a arrecadação, a fiscalização e a cobrança da contribuição social do salário-educação, a que se referem o art. 212, § 5o, da Constituição, e as Leis nos 9.424/96, e 9.766/98 (Bol. INFORMARE n º 03/99).
DECRETO
Nº 6.003 DE 28 DE DEZEMBRO DE 2006
(DOU DE 28.12.2006)
Regulamenta a arrecadação, a fiscalização e a cobrança
da contribuição social do salário-educação,
a que se referem o art. 212, § 5o, da Constituição, e as
Leis nos 9.424, de 24 de dezembro de 1996, e 9.766, de 18 de dezembro de 1998,
e dá outras providências.
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe
confere o art. 84, inciso IV, da Constituição, e tendo em vista
o disposto no art. 9o da Lei no 9.766, de 18 de dezembro de 1998,
DECRETA:
Disposições Gerais
Art. 1o A contribuição social do salário-educação obedecerá aos mesmos prazos, condições, sanções e privilégios relativos às contribuições sociais e demais importâncias devidas à Seguridade Social, aplicando-se-lhe, no que for cabível, as disposições legais e demais atos normativos atinentes às contribuições previdenciárias, ressalvada a competência do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação - FNDE, sobre a matéria.
§ 1o A contribuição a que se refere este artigo será calculada com base na alíquota de dois inteiros e cinco décimos por cento, incidente sobre o total da remuneração paga ou creditada, a qualquer título, aos segurados empregados, ressalvadas as exceções legais, e será arrecadada, fiscalizada e cobrada pela Secretaria da Receita Previdenciária.
§ 2o Entende-se por empregado, para fins do disposto neste Decreto, as pessoas físicas a que se refere o art. 12, inciso I, da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991.
§
3o Para os fins previstos no art. 3o da Lei no 11.098, de 13 de janeiro de 2005,
o FNDE é tratado como terceiro, equiparando-se às demais entidades
e fundos para os quais a Secretaria da Receita Previdenciária realiza
atividades de arrecadação, fiscalização e cobrança
de contribuições.
Art. 2o São contribuintes do salário-educação
as empresas em geral e as entidades públicas e privadas vinculadas ao
Regime Geral da Previdência Social, entendendo-se como tais, para fins
desta incidência, qualquer firma individual ou sociedade que assuma o
risco de atividade econômica, urbana ou rural, com fins lucrativos ou
não, bem assim a sociedade de economia mista, a empresa pública
e demais sociedades instituídas e mantidas pelo Poder Público,
nos termos do art. 173, § 2o, da Constituição.
Parágrafo único. São isentos do recolhimento da contribuição
social do salário-educação:
I - a União, os Estados, o Distrito Federal, os Municípios e suas
respectivas autarquias e fundações;
II - as instituições públicas de ensino de qualquer grau;
III - as escolas comunitárias, confessionais ou filantrópicas,
devidamente registradas e reconhecidas pelo competente órgão de
educação, e que atendam ao disposto no inciso II do art. 55 da
Lei nº 8.212, de 1991;
IV - as organizações de fins culturais que, para este fim, vierem
a ser definidas em regulamento;
V - as organizações hospitalares e de assistência social,
desde que atendam, cumulativamente, aos requisitos estabelecidos nos incisos
I a V do art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991;
Art. 3o Cabe à Procuradoria-Geral Federal a representação
judicial e extrajudicial do FNDE, inclusive a inscrição dos respectivos
créditos em dívida ativa.
Art. 4o Integram a receita da contribuição social do salário-educação
os acréscimos legais a que estão sujeitos os contribuintes em
atraso.
Art. 5o A contribuição social do salário-educação
não tem caráter remuneratório na relação
de emprego e não se vincula, para nenhum efeito, ao salário ou
à remuneração percebida pelos empregados das empresas contribuintes.
Art. 6o Do montante arrecadado na forma do art. 1o deste Decreto será
deduzida a remuneração da Secretaria da Receita Previdenciária,
correspondente a um por cento, conforme previsto no art. 15, § 1o, da Lei
no 9.424, de 24 de dezembro de 1996.
Art. 7o A Secretaria da Receita Previdenciária enviará ao
FNDE as informações necessárias ao acompanhamento da arrecadação,
fiscalização e repasse da contribuição social do
salário-educação, inclusive quanto à sua participação
nos parcelamentos e nos créditos inscritos em dívida ativa.
§ 1o Para fins do disposto no caput deste artigo, deverão ser encaminhados
ao FNDE, em meio magnético ou eletrônico, os arquivos contendo
as informações da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações
à Previdência Social - GFIP e Guia da Previdência Social
- GPS, bem assim outras informações necessárias ao efetivo
controle da arrecadação.
§ 2o Além das informações previstas no § 1o,
deverão ser encaminhados mensalmente ao FNDE dados consolidados da arrecadação
do salário-educação, discriminados por natureza de receita
e por unidade da federação.
§ 3o A Secretaria da Receita Previdenciária prestará contas,
anualmente, ao Conselho Deliberativo do FNDE, dos resultados da arrecadação
da contribuição social do salário-educação,
nos termos do art. 58 da Lei Complementar no 101, de 4 de maio de 2000.
Art. 8o A Secretaria da Receita Previdenciária disponibilizará
ao FNDE, na Conta Única do Tesouro Nacional, o valor total arrecadado
a título de salário-educação, na forma do art. 1o,
deduzindo a remuneração a que se refere o art. 6o.
§ 1o A apuração de todos os valores arrecadados a título
de salário-educação, inclusive os provenientes de créditos
constituídos, incluídos ou não em parcelamentos, será
feita a partir do primeiro dia útil do mês subseqüente ao
da arrecadação, devendo o montante apurado ser disponibilizado
ao FNDE até o dia 10 do mesmo mês.
§ 2o O valor devido a título de salário-educação,
arrecadado em decorrência do Programa de Recuperação Fiscal
- REFIS, deverá ser disponibilizado ao FNDE até o dia 20 do mês
subseqüente ao da arrecadação.
Art. 9o O montante recebido na forma do art. 8o será distribuído
pelo FNDE, observada, em noventa por cento de seu valor, a arrecadação
realizada em cada Estado e no Distrito Federal, em quotas, da seguinte forma:
I - quota federal, correspondente a um terço do montante dos recursos,
será destinada ao FNDE e aplicada no financiamento de programas e projetos
voltados para a universalização da educação básica,
de forma a propiciar a redução dos desníveis sócio-educacionais
existentes entre Municípios, Estados, Distrito Federal e regiões
brasileiras;
II - quota estadual e municipal, correspondente a dois terços do montante
dos recursos, será creditada mensal e automaticamente em favor das Secretarias
de Educação dos Estados, do Distrito Federal e em favor dos Municípios
para financiamento de programas, projetos e ações voltadas para
a educação básica.
§ 1o A quota estadual e municipal da contribuição social
do salário-educação será integralmente redistribuída
entre o Estado e seus Municípios de forma proporcional ao número
de alunos matriculados na educação básica das respectivas
redes de ensino no exercício anterior ao da distribuição,
conforme apurado pelo censo educacional realizado pelo Ministério da
Educação.
§ 2o O repasse da quota a que se refere o inciso II, decorrente da arrecadação
recebida pelo FNDE até o dia 10 de cada mês, será efetuado
até o vigésimo dia do mês do recebimento.
§ 3o O repasse da quota a que se refere o inciso II, decorrente da arrecadação
recebida no FNDE após o dia 10 de cada mês, será efetuado
até o vigésimo dia do mês subseqüente ao do recebimento.
§ 4o Os dez por cento restantes do montante da arrecadação
do salário-educação serão aplicados pelo FNDE em
programas, projetos e ações voltadas para a universalização
da educação básica, nos termos do § 5o do art. 212
da Constituição.
Art. 10. As ações fiscais e demais procedimentos tendentes
à verificação da regularidade fiscal relativa ao salário-educação,
inclusive para fins de expedição da certidão negativa de
débito a que se refere o art. 257 do Decreto no 3.048, de 6 de maio de
1999, serão realizados pela Secretaria da Receita Previdenciária,
à qual competirá a expedição do documento.
§ 1o Sem prejuízo da competência prevista no art. 1o, §
1o, o FNDE poderá monitorar e fiscalizar o cumprimento das obrigações
relativas ao salário-educação e, constatada inobservância
de qualquer dispositivo, representará à Secretaria da Receita
Previdenciária para as devidas providências.
§ 2o A partir da vigência deste Decreto, os contribuintes com mais
de um estabelecimento e que estavam, até então, obrigados ao recolhimento
direto do salário-educação por força do Decreto
no 4.943, de 30 de dezembro de 2003, deverão eleger como estabelecimento
centralizador o mesmo que já houver sido informado para esse fim à
Secretaria da Receita Previdenciária e manter nele toda a documentação
de interesse da fiscalização, inclusive a relativa ao Sistema
de Manutenção do Ensino Fundamental - SME.
§ 3o Os Auditores Fiscais da Secretaria da Receita Previdenciária
e os técnicos do FNDE têm livre acesso à documentação
necessária à consecução dos objetivos previstos
neste artigo, não se aplicando para estes fins as disposições
legais excludentes ou limitativas do direito de examinar livros, arquivos, documentos,
papéis e efeitos comerciais ou fiscais dos comerciantes, empresários,
industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibi-los.
Disposições Transitórias
Art. 11. O recolhimento da contribuição social do salário-educação será feito da seguinte forma:
I - os créditos relativos a competências de 01/2007 em diante, exclusivamente à Secretaria da Receita Previdenciária, por meio da GPS, juntamente com as contribuições previdenciárias e demais contribuições devidas a terceiros;
II
- os créditos relativos a competências anteriores a 01/2007, não
recolhidos no prazo regulamentar e pendentes de constituição,
exclusivamente à Secretaria da Receita Previdenciária, por GPS
com código de pagamento específico para o salário-educação;
III - os créditos relativos a competências anteriores a 01/2007,
já constituídos pelo FNDE, exclusivamente por meio do Comprovante
de Arrecadação Direta - CAD, até que se complete o processo
de migração para a Secretaria da Receita Previdenciária,
das bases necessárias à apropriação dos respectivos
recebimentos, na forma que vier a ser estabelecida no ato de que trata o art.
12.
§ 1o Fica mantida a competência do FNDE sobre os créditos
por ele constituídos, incluídos ou não em parcelamentos,
relativos a competências anteriores a 01/2007, até que ocorra a
migração para a Secretaria da Receita Previdenciária das
bases de que trata o inciso III.
§ 2o Depois de concluída a migração a que se refere
o inciso III, os créditos já constituídos pelo FNDE, incluídos
ou não em parcelamentos, relativos a competências anteriores a
01/2007, serão recolhidos exclusivamente à Secretaria da Receita
Previdenciária, por GPS, com código de pagamento específico
para o salário-educação.
§ 3o Para o cumprimento do disposto no inciso I, o contribuinte informará
na GFIP código de terceiros ímpar, cuja composição
inclui o salário-educação, e para cumprimento do disposto
nos incisos II e III e no § 2o não fará qualquer alteração
nas GFIP já entregues, relativas àquelas competências, uma
vez que as informações nelas contidas serviram de base para o
repasse a terceiros da contribuição correspondente.
§ 4o Nos lançamentos de créditos de salário-educação
relativos a competências anteriores a 01/2007 observar-se-á o disposto
no art. 144 do Código Tributário Nacional, inclusive quanto ao
preenchimento da GFIP, que deverá consignar código de terceiros
par, que exclui o salário-educação de sua composição.
§ 5o O código de pagamento específico para o salário-educação
a que se referem o inciso II e o § 2o será divulgado, com a devida
antecedência, pelo FNDE, aos contribuintes sujeitos ao recolhimento direto
daquela contribuição.
Art. 12. Os processos administrativo-fiscais decorrentes dos créditos
a que se refere o inciso III do art. 11 serão transferidos para a Secretaria
da Receita Previdenciária, na forma e prazo que vierem a ser definidos
em ato conjunto a ser baixado pelo FNDE e por aquela Secretaria.
Disposições
Finais
Art. 13. A Secretaria da Receita Previdenciária e a Procuradoria-Geral Federal ficam autorizadas, observada a área de competência, a baixar ato normativo para operacionalização das ações decorrentes deste Decreto.
Art. 14. Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.
Art. 15. Ficam revogados os Decretos nos 3.142, de 16 de agosto de 1999, e 4.943, de 30 de dezembro de 2003.
Brasília,
28 de dezembro de 2006; 185o da Independência e 118o da República.
LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA
Fernando Haddad
Nelson Machado
Este texto não substitui